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Capa do livro A capoeira: contribuições ao moderno futebol arte e força: a implantação da capoeira no futebol, para melhoria das capacidades física, técnica e emocional
A capoeira: contribuições ao moderno futebol arte e força: a implantação da capoeira no futebol, para melhoria das capacidades física, técnica e emocional, de Nelsival de Souza Menezes · Editora Dialética

Muito antes de virarem os esportes mais populares do Brasil, o futebol e a capoeira já dividiam a mesma rua: o terreno baldio, o samba de fim de tarde, as brincadeiras de criança nos bairros periféricos. É dessa irmandade antiga que parte A capoeira: contribuições ao moderno futebol arte e força: a implantação da capoeira no futebol, para melhoria das capacidades física, técnica e emocional, de Nelsival de Souza Menezes, que chega agora ao catálogo da Editora Dialética. A obra faz uma proposta concreta: levar a capoeira para dentro da rotina de treinamento dos clubes, como método auxiliar capaz de aprimorar o jogador de corpo inteiro.

O livro não se contenta com a aproximação poética entre ginga e drible. Ele reúne fundamentação bibliográfica, memória esportiva, história cultural e relatos de experiência profissional para mostrar como essa integração pode ser feita, com que cuidados e com quais resultados esperados. É, ao mesmo tempo, um ensaio sobre identidade e um manual de trabalho.

Um futebol que precisa de força sem abrir mão da arte

O ponto de partida é um problema que atravessa as conversas sobre o futebol brasileiro: como conciliar a exigência física e tática do jogo moderno com a criatividade e a improvisação que marcaram a história da seleção e dos clubes do país. Logo no primeiro capítulo, o autor apresenta as exigências do futebol contemporâneo e argumenta que a capoeira pode desenvolver justamente as qualidades que fazem a diferença em campo: flexibilidade, equilíbrio, esquiva, destreza, criatividade e improvisação.

"A capoeira pode resgatar a beleza, a criatividade e a improvisação do antigo futebol brasileiro: o Futebol Arte."

A tese central percorre o livro inteiro: o moderno futebol-arte deve combinar a identidade cultural brasileira com preparação física elevada, organização coletiva, cooperação, ética e controle da violência. A capoeira, nessa leitura, não é um enfeite folclórico acrescentado ao treino, mas um recurso que trabalha ao mesmo tempo o físico, o técnico, o tático, o emocional e o psicomotor.

Samba, malandragem e a formação de um estilo

Antes de chegar ao campo de treino, a obra faz um percurso histórico e cultural cuidadoso. O segundo capítulo interpreta a estética do futebol brasileiro como síntese de samba, capoeira e malandragem, somando contribuições africanas, indígenas e europeias. O terceiro reconstrói a apropriação brasileira do futebol, destacando a formação do futebol-arte, a presença negra e mestiça nos gramados e a tensão permanente entre arte e força.

Na sequência, o autor discute a modernização do esporte no país, a formação de equipes e a organização das divisões de base e de seus quadros técnicos. O quinto capítulo examina a crise do futebol brasileiro diante da modernização internacional, recorrendo a rankings de seleções e clubes como indicadores desse cenário. É o diagnóstico que justifica a proposta: se o futebol mudou, a formação do atleta também precisa mudar, sem perder aquilo que lhe dava personalidade.

A capoeira ganha, então, capítulos próprios. O livro aborda sua origem controversa, sua evolução, sua institucionalização e suas manifestações, com destaque para as vertentes Angola e Regional e para as figuras de Mestre Bimba e Mestre Pastinha. Em seguida, analisa a roda como espaço de jogo e de aprendizagem corporal, onde se desenvolvem coordenação psicomotora, controle emocional, disciplina, cooperação e formação social. Para o autor, a história, a ancestralidade e a musicalidade dessa manifestação afro-brasileira enriquecem não apenas o desempenho, mas a formação humana dos jogadores.

Quando o martelo vira chute e a negativa vira desarme

O coração técnico da obra está na comparação entre os gestos das duas práticas. A partir do oitavo capítulo, Nelsival de Souza Menezes confronta os fundamentos do futebol e da capoeira, relacionando movimentos, exigências técnicas, riscos físicos e formas de interação corporal. A argumentação é direta: as semelhanças gestuais permitem adaptar movimentos como ginga, negativa, martelo, aú e ponteira a fundamentos como drible, desarme, voleio, bicicleta e chute.

"O futebol como a Capoeira é arte, é dança e é luta. É jogo de corpo e é, principalmente, uso das pernas."

O capítulo 14 merece atenção especial de quem acompanha o jogo com olhar de estudioso. Ali, ginga, fintas, dribles, balanço, negaça e mandinga são examinados como elementos compartilhados pelas duas culturas corporais. Já o capítulo 15 estabelece correlações biomecânicas entre os movimentos da capoeira e os fundamentos do futebol, enfatizando o diálogo corporal, a capacidade de adaptação e aquilo que o autor trata como inteligência técnica. Complementam esse bloco a descrição das capacidades essenciais comuns a futebolistas e capoeiristas, nas dimensões física, técnica, tática, moral e psicológica, e a retomada das exigências individuais e coletivas do jogo moderno à luz do treinamento esportivo.

Do Esporte Clube Bahia a Feira de Santana: a proposta testada na prática

O que distingue o livro de uma defesa apenas teórica é o lastro de experiência. A obra apresenta sugestões que deram certo no Esporte Clube Bahia, tanto na equipe profissional quanto na divisão de base, e relata também a experiência da Associação Desportiva Astro, em Feira de Santana, conduzida pelo professor Lopes, que inclui ainda a utilização da capoeira com pessoas com deficiência. O capítulo 11 traz o depoimento do Mestre Marcos Alabama sobre sua vivência na iniciação e sua participação na implantação da capoeira no futebol.

O autor não esconde as dificuldades. Ele reconhece que a implantação não é um processo fácil e exige atenção redobrada, sobretudo aos aspectos didáticos. Por isso, o décimo capítulo propõe procedimentos detalhados para a operacionalização da proposta:

  • Motivação dos atletas para aderirem a uma prática nova dentro da rotina do clube;
  • Conscientização dos treinadores, com caminhos para minimizar resistências e preconceitos de técnicos;
  • Escolha dos mestres que conduzirão o trabalho junto às equipes;
  • Atenção às categorias de base, onde a formação corporal ainda está em construção.

O circuito como ponte entre a roda e o campo

Para organizar tudo isso, o autor elege um método. Os dois capítulos finais justificam a escolha do Circuit Training para integrar capoeira e futebol, retomando conceitos de método, treinamento, educação física, pedagogia e didática. A opção é explicada pela própria obra:

Segundo o livro, "O CIRCUIT TRAINING é o método de treinamento físico-técnico, escolhido como uma opção para desenvolvermos a prática da capoeira de forma didaticamente agradável". O capítulo 17 detalha a metodologia aplicada à adaptação dos gestos da capoeira ao futebol, com orientações sobre exercícios, estações, cargas, intensidade, volume e periodicidade. É material que pode sair das páginas direto para a prancheta do preparador físico.

A conclusão amarra a proposta com recomendações prudentes: implantação progressiva, cuidado com a segurança, respeito à individualidade psicomotora de cada atleta e uso da ludicidade da capoeira como recurso de treinamento e também de descontração do grupo.

Uma leitura para quem forma atletas e para quem pensa a cultura

Com tom acadêmico e técnico, mas atravessado pelo testemunho de quem viveu a experiência nos clubes, a obra conversa com públicos diversos. Interessa a treinadores de futebol, preparadores físicos e profissionais das categorias de base que buscam novas ferramentas de trabalho; a professores e estudantes de Educação Física; a mestres e praticantes de capoeira que desejam ampliar o alcance de sua arte; a atletas; e a pesquisadores do treinamento esportivo e da cultura afro-brasileira.

Na sinopse, o próprio autor chama a empreitada de "desafio exuberante" e encerra com um convite simples: sirvam-se. A chegada do livro ao catálogo da Dialética oferece exatamente isso, a oportunidade de olhar para o futebol brasileiro a partir de uma de suas raízes mais profundas e de encontrar, na roda de capoeira, caminhos concretos para formar jogadores mais completos, criativos e preparados para o jogo de hoje.

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A capoeira: contribuições ao moderno futebol arte e força: a implantação da capoeira no futebol, para melhoria das capacidades física, técnica e emocional já está disponível na loja oficial da Editora Dialética.

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