Lançamento

Num tempo em que quase tudo pede pressa, um livro que convida a fechar os olhos chega como um pequeno gesto de resistência. O segredo é relaxar, de Eliane Maria Valore de Siqueira, acaba de entrar no catálogo da Editora Dialética. A obra não pretende ser apenas lida: quer ser vivida, uma página por vez, como um roteiro de pausas. São dezenas de meditações guiadas e visualizações criativas que levam o leitor do relaxamento do corpo às perguntas mais íntimas sobre quem se é e o que se deseja.
Um livro que se lê com a respiração
A porta de entrada é o corpo. O capítulo de abertura, Relaxamentos, conduz à tranquilidade física e mental pela respiração consciente e pelo relaxamento progressivo, e esse gesto inaugural vai voltar muitas vezes ao longo do volume. Em Relaxando com a respiração, respirar com atenção aparece como caminho de harmonia, equilíbrio e acesso à sabedoria interior. Já em Respiração, perto do fim, o leitor é guiado a observar o corpo, soltar as tensões aos poucos e criar um círculo de luz protetor voltado para o futuro.
Há também um fio que passa pelos sentidos. Percepção dos sentidos propõe o toque, a automassagem e o autocuidado como formas de atenção. Para fazer bem pausadamente, título que já diz como deve ser lido, faz uma viagem pelo corpo, músculo por músculo, em busca de uma sabedoria interior amorosa. E Vocalizar para relaxar: brincando com as vogais... traz um dos exercícios mais curiosos do livro: vocalizações e movimentos ligados a cada vogal, pensados para relaxar, focar e reduzir tensões.
"Feche os olhos e imagine: o cheiro das flores, o toque da brisa, a lembrança vívida dos brinquedos de criança e a segurança de um lugar que já foi seu."
Paisagens imaginadas como abrigo
Se a respiração é o método, a imaginação é a paisagem. Boa parte da obra se organiza como uma série de viagens interiores. Em Caminhando com a imaginação, o destino é uma praia, onde a mente descansa e o corpo recupera energia. Um lugar especial cria uma ilha imaginária de acolhimento, onde a pessoa reconhece as necessidades do próprio corpo e recolhe sensações de paz. Tranquilidade... Quem não quer? leva a um jardim e termina com um gesto simples e bonito: oferecer uma flor como sinal de amizade e generosidade.
A água aparece de várias formas. A cachoeira propõe uma imersão imaginária para lavar corpo e alma e renovar a confiança. A Força da Natureza segue por um riacho até outra queda d'água, de onde vêm força, paz, esperança e alegria. Em Nossa essência, as águas que passam viram imagem da transformação contínua, e a autora afirma que há algo em nós que permanece. Tudo passa... A vida passa... Os momentos passam... compara a vida ao movimento das ondas e pede que o presente seja vivido com intensidade.
As cores formam outro eixo. Dois capítulos com o mesmo título, Trabalhando com a cromoterapia, usam a visualização de cores: o verde e o azul para trazer tranquilidade e equilíbrio, o branco e o rosa como imagens de paz, serenidade e amor. As cores da natureza e Banho de luz juntam respiração e cores naturais para fortalecer energia, serenidade e amorosidade. O céu também entra no repertório: Voando alto e Um voo maravilhoso usam o pássaro e o voo imaginário para falar de liberdade, de novas perspectivas e de humildade diante da criação.
Da quietude do corpo às perguntas que importam
O que faz o livro ir além de uma coleção de técnicas é o caminho que ele percorre. O relaxamento prepara o terreno para a reflexão. Em Conscientização dos pensamentos e das emoções, o leitor é orientado a reconhecer o que viveu de agradável e de desagradável, tirar aprendizados e praticar o desapego. Para um dia melhor propõe rever mentalmente um dia vivido e pensar no que poderia mudar nos próximos. O que posso fazer por mim? incentiva a atenção ao presente, a escuta interior e a responsabilidade pelo próprio bem-estar.
O ponto alto desse movimento talvez seja Meditação, uma prática reflexiva conduzida por perguntas sobre identidade, desejos, sentimentos, coragem, felicidade, respeito, amor e sentido. Ao lado dela, Encontro com o sábio interior propõe chegar, pela imaginação e pelo relaxamento, a uma sabedoria interna ligada à proteção e à renovação. Paciência faz um exercício original: identificar a paciência, dar a ela uma forma e levá-la para o dia a dia.
"Um convite para desacelerar, respirar e descobrir que a sensibilidade está dentro de cada um."
A felicidade tratada como escolha de todo dia
A felicidade atravessa a obra como uma tese, apresentada sem grandiloquência. Caminho para a felicidade a liga à perseverança, à esperança, ao amor, à gratidão, à convivência e ao valor das pequenas coisas. Seja feliz vai além e a trata como escolha cotidiana, feita de perdão, coragem e sensibilidade. Viva a vida! recorre às boas lembranças para despertar entusiasmo e uma juventude interior, e Saber viver... recomenda olhar para a própria vida e valorizar o tempo, as memórias, as relações e os momentos presentes.
A infância tem lugar especial nessa busca. Voltando a ser criança recupera memórias sensoriais dos primeiros anos para reacender a alegria, a brincadeira e a espontaneidade, e Aprendendo a brincar convida a deixar as preocupações de lado e reencontrar a dança e a música. Em É primavera, a imagem de uma tela primaveril sustenta uma ideia que resume o espírito do livro: é possível criar e transformar a própria vida.
O cuidado também passa pela convivência. Vivência do amor conduz à criação e à partilha de sensações amorosas consigo e com os outros. O amor o descreve como energia inesgotável, capaz de transformar as relações. Saber cuidar estende o relaxamento a uma ética do cuidado: com o corpo, com a mente, com a Terra e com os semelhantes. As mãos pede que o leitor contemple as próprias mãos e as reconheça como instrumentos de ação, de gratidão e de prática do bem.
Silêncio, prece e as estações da vida
Há ainda uma dimensão espiritual, presente sem ser excludente. O Presente convida a permanecer no agora e a reconhecer a vida diária como presente de Deus. Uma prece leva ao silêncio interior, à gratidão e ao compromisso de acolher, confortar e amar. Uma prece celestial abre o olhar para o cosmos numa oração por fraternidade, paz e esperança.
Entre os textos mais delicados está As quatro estações da vida, que compara nascimento, juventude, maturidade e velhice às estações da natureza e valoriza o que cada fase ensina. Sendo árvore... associa a árvore à firmeza, à humildade e à proteção, e lembra algo que costuma ser esquecido: também é preciso pedir ajuda. Se permitir lembrar sempre funciona como um pequeno roteiro de vida: cuidar de si, preservar as amizades, ouvir a intuição, sonhar e acreditar.
Para quem busca uma pausa possível no meio da rotina
O segredo é relaxar serve a quem sente que perdeu o fôlego e não sabe por onde começar a recuperá-lo. Também pode ser útil para quem conduz grupos, rodas de conversa ou momentos de acolhimento, já que os capítulos funcionam como roteiros independentes, prontos para ler em voz alta ou praticar em silêncio. Abrir em qualquer página é uma forma legítima de leitura: cada exercício se fecha em si mesmo, mas o conjunto desenha um percurso que vai do corpo à emoção, da emoção ao sentido, do sentido ao cuidado com os outros.
Com essa obra, Eliane Maria Valore de Siqueira oferece menos uma teoria do relaxamento e mais uma companhia para ele. O livro aposta que a calma não precisa de grandes viagens nem de condições ideais: está ao alcance de uma respiração atenta, de uma lembrança de infância, de uma cor imaginada. Como promete a apresentação da obra, o refúgio particular de cada leitor está a apenas uma página de distância, e agora ele pode ser encontrado no catálogo da Dialética.
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O segredo é relaxar já está disponível na loja oficial da Editora Dialética.
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