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Capa do livro Inclusão: família, escola e terapias : uma tríade propulsora
Inclusão: família, escola e terapias : uma tríade propulsora, de Talita Gitti · Editora Dialética

Toda criança neurodivergente circula, ao longo da semana, por pelo menos três mundos: a casa, a sala de aula e o consultório. O que acontece quando esses mundos não conversam é conhecido de muitas famílias e de muitos professores: estratégias que se contradizem, objetivos que se perdem pelo caminho, esforços que não se somam. É desse problema que parte Inclusão: família, escola e terapias : uma tríade propulsora, obra de Talita Gitti que acaba de chegar ao catálogo da Editora Dialética. O livro propõe alinhar as relações entre a instituição escolar, a família e as terapias e defende essa tríade como fator essencial para a promoção, a formação e o desenvolvimento integral da criança.

Uma aliança sem hierarquia entre os três pilares

O ponto de partida do livro é uma tese clara, sustentada desde o primeiro capítulo: família, escola e terapias são pilares complementares e integrados, e nenhum deles dá conta sozinho do desenvolvimento da criança. A obra não trata a parceria como um ideal abstrato, mas como condição prática para que as intervenções tenham sentido. A comunicação entre os diferentes atores que acompanham a criança aparece como recurso indispensável para construir estratégias coerentes e objetivos compartilhados.

"Não há desenvolvimento plenamente efetivo da criança neurodivergente quando família, escola e terapias atuam de forma fragmentada, desconectada ou desalinhada em seus propósitos."

A contribuição do livro está em deslocar o debate da pergunta "quem é responsável?" para outra, mais produtiva: como cada um pode atuar de forma corresponsável. Ao longo de 21 capítulos, essa ideia volta sempre, vista de ângulos diferentes, e dá unidade a um conjunto de textos muito diverso.

Vozes que vêm da clínica, da sala de aula e da vida em família

Boa parte da força da obra está em quem a escreve. A sinopse destaca uma diversidade notável de coautores: pedagogas, psicopedagogas, neuropsicopedagogas, fonoaudióloga, psicólogos, advogadas, mestres, doutores, teólogo, mães, pais e, como diz o próprio texto, "sobretudo sonhadores". Essa pluralidade não é decorativa. Ela permite que temas já conhecidos no contexto da educação inclusiva sejam abordados de forma nova, com o testemunho pessoal ao lado da reflexão técnica.

Os capítulos de abertura deixam isso evidente. O segundo relata a experiência de uma família diante do diagnóstico de autismo e discute o capacitismo, os direitos legais e a importância da articulação entre escola, família e terapias. O quarto narra o impacto do diagnóstico de TEA na família e na sociedade: o luto, as vulnerabilidades, as desigualdades de acesso e, por fim, a transformação da dor em missão coletiva. São textos que dão rosto e voz a quem vive a inclusão no dia a dia.

Trajetórias singulares, perguntas comuns

O livro também acompanha percursos específicos que ampliam o olhar para além do autismo. Um capítulo conta a trajetória de uma menina com síndrome de Down e mostra o papel do acolhimento escolar, das adaptações e do apoio especializado. Outro apresenta a experiência de uma criança com altas habilidades ou superdotação e trata de identificação, enriquecimento curricular, Plano Educacional Individualizado (PEI), aceleração e suporte socioemocional. Há ainda uma reflexão dedicada às múltiplas deficiências em sala de aula, que pede práticas personalizadas, trabalho transdisciplinar e valorização das potencialidades.

A escola como espaço de todos, e não só de alguns

No centro do livro está uma ideia de inclusão escolar que vai além da matrícula. Para os autores, estar presente não basta: é preciso participar, aprender e ser reconhecido na própria singularidade. O terceiro capítulo define a inclusão como participação plena e defende uma cultura inclusiva, acessibilidade, adaptações curriculares, tecnologias assistivas e colaboração entre todos os envolvidos.

A obra também olha para trás para entender o presente. Um dos capítulos recupera a evolução histórica da educação inclusiva e defende a escola como espaço de todos. Outro examina os desafios institucionais da inclusão e propõe uma escola comprometida com acessibilidade, aprendizagem e transformação social. A formação docente recebe atenção própria, com uma análise da formação histórica e contemporânea dos professores que defende formação específica, práticas adaptáveis, empatia e integração efetiva da tríade.

O livro desce ainda ao chão da escola em vários níveis. Há um capítulo sobre o trabalho do acompanhante especializado, centrado em observação, registros, mediação, funções executivas e autorregulação. Há o relato de uma professora diante dos desafios de ensinar um aluno autista, que sustenta que o amor, a reinvenção pedagógica e a parceria são condições para a aprendizagem inclusiva. Segundo o sumário, a obra inclui também discussões sobre os desafios do ensino médio diante da inclusão e sobre o papel da coordenação pedagógica.

Das terapias ao plano funcional: ferramentas para agir

Se a primeira metade do livro firma princípios, a parte final oferece instrumentos. Um capítulo defende a parceria entre terapias e escola para alinhar estratégias, objetivos e adaptações, a favor do desenvolvimento acadêmico, comportamental e social do aluno. Outro propõe um PEI funcional, construído pela tríade, com rastreamento de habilidades e potencialidades, objetivos prioritários, práticas específicas e revisão periódica.

"Desenvolver pressupõe envolver. Crescer pressupõe vincular. Avançar pressupõe integrar. A comunicação entre os diferentes atores que acompanham a criança torna-se um recurso indispensável para a construção de estratégias coerentes, objetivos compartilhados e intervenções verdadeiramente significativas."

As áreas terapêuticas aparecem com seus próprios repertórios:

  • Psicologia: o fortalecimento emocional de pais e alunos depois do diagnóstico e a defesa de uma parentalidade possível, acolhedora e articulada à escola.
  • Fonoaudiologia: apoio ao trabalho pedagógico e à orientação familiar, com destaque para comunicação, intervenção precoce e atuação multidisciplinar.
  • Análise do Comportamento Aplicada (ABA): seus objetivos, dimensões, planejamento e aplicação no cotidiano, com intervenções individualizadas e coerentes entre os três contextos.
  • Música: recurso escolar, familiar e terapêutico para desenvolver habilidades cognitivas, motoras, emocionais e sociais.
  • Educação positiva: abordagem baseada em respeito, pertencimento, habilidades de vida e escuta ativa.

Em todos esses casos, a lógica é a mesma: partir das potencialidades e das necessidades de cada criança, definir objetivos compartilhados, acompanhar de forma sistemática e revisar sempre.

Um livro para quem acompanha a criança de perto

O público da obra é amplo, porque o problema que ela enfrenta também é. A leitura serve a famílias de crianças neurodivergentes, que encontram ali acolhimento, orientação e o reconhecimento de que não estão sozinhas. Serve a professores, gestores escolares e acompanhantes especializados, que encontram reflexões sobre formação, práticas de sala de aula e instrumentos de planejamento. E serve a terapeutas e profissionais da saúde, convidados a pensar a própria atuação em diálogo com a escola e com a casa.

O tom é testemunhal, formativo e propositivo, com linguagem acessível, o que torna o livro útil tanto para quem está chegando agora ao tema quanto para quem já atua há anos na educação inclusiva. A promessa da sinopse é que a leitura abra novas possibilidades de atuação, reflexão e construção, para que educadores e familiares se tornem agentes ainda mais eficazes no processo de inclusão.

Complementaridade como horizonte para a inclusão

Ao final, o que fica é um convite a mudar de postura. O livro não entrega receitas prontas nem coloca um dos pilares acima dos outros. Propõe uma aliança, como resume uma das passagens mais marcantes da obra: "Não existe hierarquia entre família, escola e terapias. Existe complementaridade, corresponsabilidade e uma aliança construída em torno de um propósito comum: promover o desenvolvimento, a autonomia, a aprendizagem e a qualidade de vida da criança neurodivergente."

Num momento em que a inclusão escolar ainda é muitas vezes reduzida à presença física, Inclusão: família, escola e terapias : uma tríade propulsora chega para lembrar que incluir é trabalho de muitas mãos. E que essas mãos, quando se encontram, podem levar a criança muito mais longe.

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Inclusão: família, escola e terapias : uma tríade propulsora já está disponível na loja oficial da Editora Dialética.

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